A jornada do cliente em um pequeno café
(antes, durante e depois)
Quando se fala em jornada do cliente, é comum pensar apenas no momento dentro do café. Mas a experiência começa antes da porta abrir e continua depois da saída.
Olhar a jornada por inteiro, o antes, durante e o depois, ajuda a perceber onde o cuidado sustenta a experiência, e onde a fricção acontece.
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Antes de chegar
O cliente ainda não está no café, mas já está tomando decisões.
Talvez:
- tenha visto um post no Instagram
- passe em frente, mas nunca entrou
- busque um lugar tranquilo para trabalhar
- queira algo rápido entre compromissos
Perguntas silenciosas surgem:
“É acolhedor ou barulhento?”
“Preciso consumir rápido?”
“É simples de pedir?”
“Vou me sentir à vontade sozinha?”
Mesmo sem controle, o café se comunica:
- pela fachada
- pela forma como a porta se abre
- pelo que é visível de fora
- pelo tom das informações online
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Chegada
Ao entrar, o cliente faz uma leitura rápida do espaço.
Olha:
- onde pedir
- onde sentar
- como as pessoas se movem
- como quem trabalha ali se comporta
Se algo não está claro, há:
- hesitação
- pressa
- insegurança
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Decisão e pedido
Aqui o cliente tenta decidir sem atrapalhar.
Um cardápio longo, sem hierarquia, exige esforço.
Quando o tempo parece curto, a decisão vira tensão.
Um bom desenho de jornada considera:
- clareza
- ordem
- escolhas possíveis
Facilitar a decisão é uma forma de cuidado.
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Espera
A espera não é só tempo. É incerteza.
Quando não há sinais, o cliente cria hipóteses.
O cliente se pergunta:
“Demora?”
“Posso sentar?”
“Chamam pelo nome?”
“Esqueceram de mim?”
Pequenos gestos mudam tudo:
- uma frase
- um olhar
- um tempo estimado
Esperar com clareza é diferente de esperar no escuro.
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Consumo e permanência
Quando o café chega, a tensão cai.
Aqui o cliente:
- relaxa
- observa o ambiente
- decide quanto tempo ficará
- avalia se voltaria
O produto importa, mas o clima e o espaço importam tanto quanto.
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Saída
A saída costuma ser negligenciada.
Às vezes:
- ninguém percebe
- ninguém se despede
- o cliente sai sem fechamento
A experiência continua.
Um “até logo” ou um simples contato visual já criam um encerramento simbólico. Encerrar bem também é cuidar.
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Depois que o cliente vai embora
A jornada não termina na porta.
Depois, o cliente pode:
- comentar com alguém
- voltar outro dia
- salvar o lugar na memória
- ou simplesmente esquecer
Experiências boas não precisam ser extraordinárias.
Precisam ser coerentes e leves.
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O que essa jornada revela
Quando o dono do café observa a jornada inteira, percebe que:
- muitos problemas não estão no atendimento
- nem no produto
- mas nas transições
Service Design, aqui, é enxergar a jornada como fluxo contínuo de percepções e cuidar das passagens, não só dos pontos.
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